Entrevista com Kobra

kobra1

O grafite vem conquistando cada vez mais o seu espaço nas cidades, mesmo que ainda precise de muita melhora. No início do mês, o artista Eduardo Kobra presenteou São Paulo – lugar mais rabiscado do Brasil – com um mural em plena Avenida Faria Lima, falando sobre a mobilidade urbana, que é um dos assuntos mais pautados atualmente. Uma bela mistura não é mesmo?

Então fomos até o pico conhecer o mural (que ficou irado!) e bater um papo com o artista, que nos contou um pouco sobre o seu trabalho e a cena dos grafiteiros no Brasil. Confira!

COMPRE AQUI!


kobra6

kobra7

kobra8


kobra3

kobra5

kobra4

Qual a sua opinião sobre a mobilidade urbana?
Meu trabalho surgiu na rua, então ele tem tudo a ver com a cultura hip-hop, do skate, da bike e de muitas outras atividades que ocorrem no meio urbano. Eu ando de bike e esse já é o segundo mural que eu faço sobre o assunto. Para mim, a ideia é justamente falar de vida saudável, despertar a prática de esportes na cidade com menos carros nas ruas e menos poluição. Mas, além disso, alertar para a questão da segurança. Isso é importante, pois estão acontecendo muitos casos de atropelamentos, assaltos, entre outros acidentes envolvendo ciclistas.

Você comentou que já trabalhou na Av. Faria Lima como office boy. Agora, você pintou um mural gigante lá. Qual é o sentimento?
Na época em que eu trabalhei na Faria Lima, estava em um momento da minha vida de bastante conflito pessoal. Como vim da periferia, esse trabalho era uma questão de necessidade, mas não era o que eu gostava de fazer. Eu detestava, ficava o tempo todo desenhando e queria partir para a arte. Mas ainda rolava aquele lance da insegurança “Será que vai dar certo?”. Então decidi largar tudo para seguir o meu sonho, que era pintar. Encarei isso, passei por dificuldades e paguei o preço, mas hoje essa é a parte mais bem resolvida da minha vida. Não digo financeiramente, mas não deixaria de pintar em nenhuma situação – enquanto eu tiver força, estarei pintando.

kobra
Kobra retrata o rap em Wynwood, Miami, Estados Unidos.

Você veio da periferia, e agora está pintando lugares como Av. Paulista, Rua Oscar Freire e bairros nobres de São Paulo. Você acha que isso significa uma aceitação das pessoas em relação ao grafite?
Eu passei por toda essa história da intolerância e do preconceito, das pessoas não entenderem as propostas dos artistas de rua. Mas hoje em dia, acabei superando essas adversidades. Para mim, não importa se meu mural está na Paulista ou no Capão Redondo. Isso não faz diferença. Mas ter a oportunidade de ocupar a cidade, ter liberdade para fazer minha arte sem ser detido e até ter apoio para realizá-la, isso sim faz a diferença. Eu já pintei em diversas cidades, como Nova York, Londres e Paris. Acho que esse avanço tá no desenvolvimento dos artistas de rua ao longo dos anos, e também na mentalidade das pessoas, mas ainda tem muito o que melhorar.

Você acredita que aqui em São Paulo ainda tem essa resistência ou tá melhorando bastante?
Hoje você vê a Avenida 23 de Maio, que tem mais de mil murais. Isso melhorou muito, não tem comparação ao que era no passado. Mas vejo a dificuldade financeira como uma das maiores, porque uma latinha de spray custa 25 reais. Então se você é um artista simples, que não tem grana, o problema é esse. Falta investimento nessa área, falta sensibilidade para as pessoas perceberem que com um apoio muito simples, você muda a vida de alguém e melhora a vida da cidade.

MAIS PRODUTOS!


kobra9

kobra10

kobra11

btn_veja-mais